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UMA CIDADE SEM MEMÓRIA CULTURAL É UMA CIDADE SEM FUTURO HISTÓRICO

Poetrix


De Tereza virei Teca. É mais rápido.

Nasci hiperativa e isso pode ser observado em meus escritos. Meus poemas mais longos possuem no máximo quatro estrofes com quatro versos cada. Quando eu me arrisquei a escrever textos mais longos, crônicas e contos, não consegui me estender. Gosto muito da síntese, então quando descobri o Poetrix, linguagem minimalista que consiste de um pequeno poema com um título e três versos, onde se diz muito com pouco, achei sensacional e me dediquei a eles.

"Neste blog que o artculturalbrasil abre as portas e me convida a participar de uma página eu colocarei meus Poetrix, meus pequenos textos e publicarei poetas que conheci na rede e que admiro pelo talento".

Tereza Miranda Carvalho que assina TecaMiranda fez faculdade de Educação Física, mas foi nas artes que se encontrou.

Começou a pintar em 1990 e soltou suas palavras depois que perdeu seu pai, escrevendo o e-book “A história de sua vida” que pode ser lido no endereço http://www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca3/tecamiranda.htm 

Possui poemas publicados em quatro Antologias de Poetas Brasileiros Contemporâneos editados pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores.

Colaboradora dos três primeiros números do Jornal Sarau Libertário.
É membro fundador do movimento “Virtualista” e da revista “Virtualismo” – escola de autores, escritores e poetas virtuais.
Blog: www.palavrassoltasdetecamiranda.zip.net/boasvindas/
Salões e exposições de artes plásticas que participou:

XL Salão Oficial Municipal em Juiz de Fora - MG,
Salão Nacional da Mulher em Juiz de Fora - MG,
Individual na Galeria de Arte do SESC-JF
Coletiva “Filhos da Terra” III em Cataguases - MG,
VII Salão da Marinha em Juiz de Fora - MG,
Individual no Espaço Cultural da Agência do Banco do Brasil em Juiz de Fora - MG

e-mail: tecamiranda@oi.com.br

...


POETRIX
(Marco Bastos - Salvador - BA)

Essa linguagem minimalista que conheci na internet me despertou para uma nova forma de escrever onde as poucas palavras são certeiras e atingem em cheio o leitor. Sempre escrevi meus poemas a partir de imagens e não poderia ser diferente em relação aos Poetrix.

Cada Poetrix é acompanhado de sua respectiva imagem inspiradora.

Abaixo um pequeno texto sobre Poetrix e outro excelente texto do poeta Marco Bastos.
POETRIX é um poema composto de título e uma estrofe de três versos (terceto) com um máximo de trinta sílabas métricas.  
O POETRIX é uma linguagem poética em forma de tercetos, caracterizando-se por:
possuir apenas uma estrofe de três versos, com um máximo de 30 sílabas métricas;
no poetrix o título é obrigatório, podendo complementar o texto;
não existir rigor quanto a métrica ou rimas;
metáforas e outras figuras de linguagem, assim como neologismos, são uma constante no poetrix;
geralmente há uma interação autor/leitor provocada por mensagens subliminares;
ser minimalista, ou seja, procurar transmitir a mais completa mensagem em um menor número de palavras;
passado, presente e futuro podem ser utilizados sem distinção;
o autor, as personagens e o fato observado podem interagir, mesmo criando condições suprarreais, cômicas ou ilógicas (non sense).

SOBRE A ESTRUTURA DOS POETRIX

Sim dos poetrix, porque mesmo no plural, ainda poetrix, duplix, triplix, multiplix, letrix, erotrix, grafitrix - o sufixo trix sempre a indicar o terceto, classe maior onde se encaixa esse tipo de poema minimalista que nasceu da flexibilização dos haicais em terras brasileiras. Os complementos poe(trix) indicando "poema" e os demais , du, tri, multi dizendo tratar-se de poemas compartilhados por dois, três e mais de três autores; le da letra ele no letrix, sub-tipo cujo título vertical sugere o peremptório e o contundente; ero englobando composições eróticas e grafi por tratar-se de poemas associados a componentes gráficos a exemplo dos cartoons.

Apesar de já existirem vários escritos sobre a estrutura dos poetrix, dos quais cito excelentes autores que já escreveram sobre esses tercetos: Angela Bretas, Lilian Maial, Pedro Cardoso (criador dos duplix), Goulart Gomes (criador dos poetrix) e Oswaldo Martins, publiquei na Seção Literária do Recanto das Letras, um artigo do qual extraí essas principais linhas, por observar que ainda cabe falar sobre o assunto. De fato, tenho lido várias composições, algumas bem atuais, que os autores enquadraram como Poetrix, sem no entanto obedecerem às regras que os caracterizariam como tal.

Apesar de ser linguagem poética recente, e linguagem viva, portanto sujeita a alterações e evolução, como todas são, desde que linguagem é convenção. E é dessa convenção à que chegamos no MIP - Movimento Internacional Poetrix - que trago o que abaixo exponho sobre a estrutura de um poetrix.
Quando tomo por referência o convencionado no MIP, o faço por ter sido esse o "movimento de poetas" que desenvolveu e divulgou os poetrix dando-lhes a estrutura que prevalece. No MIP atua uma plêiade de excelentes e dedicados poetas, dentre os quais alguns lingüistas, mestres e doutores em língua portuguesa, e lá - mailto:poetrix@yahoogrupos.com.br criado em maio/ 2000 - é discutida e desenvolvida a teoria do poetrix.

Pois bem, até que uma nova ordenação possa ou venha a acontecer, a estrutura de um poetrix é a que segue:

- Tema: O poetrix não se subordina a qualquer tema, conceitual ou formalmente. Não está restrito a quaisquer eventos, estações do ano, momentos da vida e da natureza. Sendo uma poesia "urbana" não exclui a vida do campo. Como manifestação livre trata de idéias e momentos que tenham inspirado seu autor. Também não é "arte engajada". Estética e logicamente trata de sensações físicas, ambientais, percepções visuais e paisagísticas, emoções, conceitos, sociedade e pensamento. Se não dá espaço, por ser minimalista, a "derramamentos" emotivos não deixa de registrar momentos de fortes emoções, comunicadas em sínteses, muitas vezes fortíssimas. O envolvimento autor_e_obra e antropomorfismos não são vedados (diferentemente dos haicais, que não recomendam tais conteúdos). Temporalmente, não está vinculado ao passado, presente ou futuro, e o seu tempo nem é linear ou cíclico. Pode nem mesmo se tratar de um tempo real.

- Título: nos poetrix o título é obrigatório e parte importante do mesmo. Pode funcionar como um mote, integra-se ao poema, dá-lhe coerência, produz contradições que levam ao "susto" ou ao estranhamento bem vindo, e induz o desenvolvimento da poesia. Não deve ser elaborado de forma a que o poetrix seja uma quadra sem título que se disfarça em terceto.

- Terceto: uma estrofe composta de três versos livres quanto a rima (que também pode ser usada, quando natural e bela), e onde o rítmo deve ser compatível com o assunto e a natureza do tema (parece que isso é da poesia).

- Versos: O tamanho dos versos também é livre, não tendo um rígido número de sílabas (como os 5/7/5 dos haicais tradicionais). A contagem das sílabas deve ser feita até a última tônica de cada verso. No total, o poetrix comporta no máximo 30 sílabas, naturais ou modificadas por contrações, elisões, sinéreses e sinalefas.

- Figuras de linguagem, gramaticais e de estilo: Tratando-se de poesia minimalista, recorre a essas figuras para no continente permitido, conseguir expressar o conteúdo que se pretende, ou que aflora. Metáforas e elípses são permitidas e mesmo recomendadas por questões estéticas ou práticas. Polissemia, catacréses, aliterações, hipérbatos, zeugmas, anacolutos, etc... um arsenal à disposição do poeta.

- Grafismos: além das letras do alfabeto, sinais gráficos, os convencionais, são usados com certa freqüência. Parênteses, hífens, signos da matemática, interrogações, exclamações, pontos, chaves e reticências...

- Neologismos e deformações das palavras. Regionalismos e estrangeirismos : também e tudo à disposição do autor.

- Concretismo: embora ainda se ensaiando e não discutido mais profundamente, por manipulação da geometria dos versos e pela construção de signos a partir dos sinais gramaticais, o concretismo se insinua e se esboça em algumas composições.

- Poesia compartilhada: Os poetrix se desdobram pelo encadeamento de dois ou mais poetrix de autores que se alternam, dando origem aos duplix, triplix e multiplix.
Foram essas as percepções, as informações e a colaboração que levei ao Recanto das Letras, e que pretendi oferecer aos leitores, mais como assunto para desenvolvimento, discussão e meditação que dogmas gramaticais, estéticos ou literários.
marcobastos2001@yahoo.com.br


MEUS POETRIX I

Teca Miranda

Máximo com mínimo
Poucas letras
Dizem muito
Se souber ouvir

Alimento
Boca aberta
Ansiando seu beijo
Fome de você.

Desvairada
Na entrega
Devastando o vazio
Prenhe de vida.

Duplamente
Meu sorriso
Se abre ao seu
Fecha-se no beijo.

Entrega
Entre gemidos
Desejos contidos
Explodem na noite.

Investida
Sem rodeios
Na sua boca
Deposito meu sorriso.

Lei de bases
Toda cara
Tem sua metade
Que lhe é muito cara.

Olhos de mel
Adoçam o sorriso
Iluminam o olhar
Fazem apaixonar.

Marejado
Boiar
Em teu olhar
De cristalino verde.

Naupatia
É sempre assim
Atraco em você
E naufrago.

O beijo
Me perco
Em você
Me encontro.

Vício
Com a necessidade
De sentir você em mim
Sofro de abstinência.

Partitura
Música no ar
Você e eu
Num compasso binário.

Medida
Tanto que te espero
Tanto que nem sei
O tanto que te quero.

Insistência
No vazio do olhar
A dor
Da eterna espera.

De olhos fechados
No outono
Inverno no inferno
Da tua ausência.

Como nuvens
Os sonhos formam-se
Ganham força
Deságuam.

Estrada
Caminho
Por entre linhas
Na poesia de todo dia.

Linhas do destino
Alinho curvas
Junto paralelas
Faço meu caminho.

Mar à tona
No risco das palavras
Afogando dramas
Resgato alegrias.

...


Crônica, Prosa, Poema e Poetrix da autoria de Rosa Pena

Rosangela Pena nos registros. Rosa Pena como gosto de ser chamada. Sou carioca.
Escrever foi uma das alternativas que encontrei para mostrar o meu jeito de agir, ser e reagir diante deste tumultuado mundo contemporâneo.
Ler e escrever. Tentativas de decifrar enigmas. Criar novos.
O sal nosso de cada dia no feijão com arroz. Comida insossa é piada sem riso.

Chanel 51
Rosa Pena
Para onde vão as quimeras que nós profanamos? Sonhos não podem virar realidade. Devem ficar em estado de eterna utopia. Será que vão morar junto com o anel que “tu me deste era vidro e se quebrou”, o outro pé do brinco indiano, o batom cereja que a mochila da Company engoliu, o bilhete recebido com aquelas flores em algum dia dos namorados, a velha e companheira Lee comprada na nossa estréia em Free Shop?
Há um esconderijo, um pântano onde são tragados os sorrisos dos quinze anos, bolo vivo de meninas ainda brotos de mulher, a paquera com o professor de história, o cheiro de suor do bruto tesudo que dirigia a lotação do Nelson, o gosto do vinho daquele reveillon, quando a gente ainda acreditava em ano novo vida nova, o beijo delicioso que não teve replay (a língua ficou à míngua). “O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou”. Ficam lá, numa esquina impenetrável, ao som de meia dúzia de frases repetidas pelos deuses da nostalgia e a gente implora ao diabo contemporâneo para esquecer. No dia em que percebemos que eles, finalmente, compraram passagem pra desmemória... Ah! Escrevemos para imortalizar.
É bizarro ver os lábios trancados e as palavras voando soltas. Acho que ficamos com uma puta vontade de “gritar” no aberto tudo que vivemos em pvt. Perai galera! Vivi sim! Talvez mais... É uma vontade filha da mãe de falar para as mocinhas, teimosas em nos ensinar como é a vida, que já tivemos brincos caducos, bolsas de griffe, aeroportos com suspiros de tesão, vinte e nove semanas de amores proibidos, desejo súbito de ter geladeira amarela para homenagear o submarino, AP cheirando a incenso patchuli, corpo borrifado de Chanel n°5, calcinhas da Victoria's, cangas de bali, barriga sarada, Red Bull sem flacidez nas asas.
A gente não nasce tias do Mauro Rasi. A vida é que nos veste delas.

Rio Desafinado
Rosa Pena Para Tom Jobim

Depois que você se foi, Ipanema deu uma envelhecida. A Nascimento Silva tomou ares de viúva. O bar Veloso mudou, acalmou, ficou quase preguiçoso. O sorriso da garota que vem e que passa perdeu um bocado da graça.A nossa alma ainda canta quando se chega ao aeroporto, não porque se deslumbra o Rio, mas por se ter mais um motivo para sussurrar seu nome. As águas que fechavam o verão caem agora o ano inteiro. Acho que choram de saudades, pois na realidade sem você, não há beleza é só tristeza. Enfim, a cidade virou orquestra sem maestro. Não basta só o som, se não se tem mais o Tom.

Sandice
Rosa Pena

Invento que sou Sarita Montiel. Tu finges que é o Gardel. Coloco perfume de gardênia ou preferes meu cheiro de fêmea? Boca manchada de batom, uns goles de Bourbon. Arzinho inocente em seios prepotentes. Cenário bem indecente. Meia-luz em um quarto de motel. Se quiseres... Finges que é um bordel. Teus cabelos com gumex melando meu corpete de lastex.

Coquetel Molotov Rosa Pena

Um verso de Vínicius. Dois dedos de prosa.Três beijos na boca.
...
Sugestões para esta página: tecamiranda@oi.com.br
Meus Poetrix II
(Teca Miranda)
Otimismo 
 primeiro passo
para o salto alado
em busca do sonho.

Colóquio
saudade chega
conversa com o coração
o olhar responde.

Melancolia
passa o tempo
sem contratempo
e passatempo.

Saudade
de vez em quando
bate na porta
para mostrar que vive.

Sentidos
caminho por entre flores
pergunto se o perfume tem som
e o bem-te-vi canta.
...

Herculano Alencar
Sou médico desde 1978 e tento ser poeta desde 1970, quando escrevi meu primeiro poema.Nasci em Piripiri, Piauí.Vivo em São Paulo desde 1979.


O corpo entregou-se finalmente
à inércia das moléculas vitais!
O coração que já não bate mais
no peito estagnado do doente,

calado, espera a voz do veredito:
—Morreu! Não há um só sinal de vida!
A alma ri da própria despedida
e sai do corpo em busca do infinito.

Há uma inteligência soberana
por trás das aparências desumanas,
que criam-se da morte em nossa mente.

Pois é na matemática da morte
que cada um calcula a sua sorte
e o quanto mereceu ter sido gente.

A matemática da paixão
De mais de dois mil beijos que te dei,
um beijo apenas dei apaixonado.
E esse beijo nunca mais foi dado
nas muitas outras bocas que beijei.

O beijo foi um xis, posto ao quadrado,
no ene infinito do desejo.
E assim, na matemática do beijo,
o beijo é o amor simplificado.

Pitágoras mostrou, em teorema,
o que poetas mostram em poemas:
A soma do quadrado dos catetos

define a hipotenusa da paixão.
E na raiz de tal equação
estão quatorze versos e um soneto.

A matemática do sexo
Da adição dos gritos e gemidos
se forma a geometria do prazer!
Um cálculo difícil de fazer
por quaisquer artifícios conhecidos.

Do número de pares divididos
por ene contrações do genital,
resulta um desenho axial
que insere o gozo em todos os sentidos.

Nem mesmo Freud, Édipo, Eletra...
Nem mesmo matemáticos, poetas...
conseguem calcular com precisão.

Pois que na aritmética do sexo
o côncavo mistura-se ao convexo
e torna impossível a solução.

A matemática das flores

Flores vermelhas, lírios multicores...
mil dúzias de buquês de fantasia.
Mas há a flor que ao talo delicia:
aquela que resume todas flores.

Se cada uma flor tem dois amores:
a gota do orvalho e o beija-flor.
Então é razoável se supor
que há flores quantos são os beija-flores;

E que há tanto orvalho (tanto e quanto),
que nem uma só flor (em qualquer canto)
há de morrer de sede, sem um beijo.

E mesmo uma florzinha desprezada
tem a certeza que será beijada,
pois para cada flor há um desejo.

Matemática da gênese

Da adição, a soma dos gametos
que se dividem em fração binária,
a matemática hereditária
produz a hipotenusa e os catetos.

A mórula, em dízima periódica,
segue, em geométrica progressão,
até o "ene" da blastulação
desenvolvendo uma sequência lógica.

Forma-se por inteiro o embrião.
A vida se mantém em equação
sobre o mínimo múltiplo comum:

Célula tronco da operação,
o xis quadrado da evolução,
que leva a vida a lugar algum.
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Sugestões para esta página: tecamiranda@oi.com.br
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4 comentários:

  1. Teca... obrigada por compartilhar. Adorei ler você e contigo estar. Beijo/ rosa

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  2. Olá, Teca. Obrigado por várias satisfações que você me proporcionou ao convidar para conhecer essa nova casa de poetas. Gostei do seu espaço e fiquei feliz e honrado por ter colaborado com as minhas despretensiosas letrinhas para essa iniciativa sua e do José Antonio Jacob de dar mais asas às poesias. Parabéns pela sua página e pelos seus excelentes poemas aqui hoje publicados. Já em outras oportunidades manifestei a minha admiração pelas poesias que você escreve. Foi também um prazer ler aqui textos de Rosa Pena, autora sempre talentosa. Ao J.A Jacob,autor de sonetos inspiradíssimos e belos, seu conterrâneo, cuja obra passei a conhecer e admirar a partir de alguns sonetos que você me encaminhou, cumprimento-o e parabenizo-o. Desejo a todos sucesso nessa iniciativa e felicidade em 2009. Abraços. Boa noite. Marco.

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  3. lindo poemas D'US ABENÇOE sempre....

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  4. Anônimo08:38

    Gostei Parabens Você tem um lindo futuro pela frente que o senhor jesus cristo te abençoe cada vez mais!!!!

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